ESTAMOS ON - As bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas de Braga Oeste têm uma nova página digital criada para, neste momento de distanciamento físico e social, dar apoio a alunos, professores e encarregados de educação. Contém links para recursos pedagógicos/lúdicos, horário de atendimento síncrono e assíncrono e endereço de contacto.
domingo, 17 de maio de 2020
sexta-feira, 15 de maio de 2020
" O próximo grande salto evolutivo da humanidade será a descoberta de que cooperar é melhor que competir". Pietro Ubaldi
Numa das aulas de « Estudo em Casa», dirigida aos alunos do
7º e 8º anos, foi abordado um excerto da obra, « A história de uma gaivota e do gato
que a ensinou a voar», de Luís de Sepúlveda.
Como é do conhecimento de todos os docentes que lecionam
português, mas também dos leitores que admiram a escrita de Luís de Sepúlveda,
este conto fabulístico, valoriza os princípios básicos da convivência humana.
Nele, estão presentes os valores como a honra dos compromissos assumidos; o
espírito de grupo e amizade; a integração entre a teoria e a ação; a
preservação do ambiente; o respeito pela diferença e pela vontade da maioria; o
saber, a harmonia entre as espécies e os direitos dos animais.
A professora de Português, neste ensino à distância, a
propósito desta aula a que os alunos têm de assistir, considerou importante o aprofundamento das
técnicas de escrita do texto de opinião e lançou este desafio a todas as suas
turmas do 8º ano.
Dos muitos temas/valores subjacentes à obra, a professora
fez as seguintes sugestões:
A turma A abordaria o tema « Lealdade e Confiança». A turma B debruçar-se-ia sobre o tema «Proteção, Coragem e Responsabilidade» e a turma E, trabalharia o tema « Companheirismo e Cooperação».
Eis aqui um trabalho da aluna nº8,
Lara Costa, aluna do 8ºE.
Companheirismo e Cooperação
O
tema “companheirismo e cooperação” é um tema muito pertinente, pois está
relacionado com muitos problemas da sociedade atual. O companheirismo é um
vínculo que existe entre pessoas próximas, amigos ou familiares. A cooperação é
a expressão utilizada para a atuação conjunta dum determinado grupo de pessoas
para alcançar um objetivo.
Na
minha opinião, o companheirismo e a cooperação são, na verdade, valores
importantíssimos para uma vida social, no trabalho, na escola, ou mesmo no
ambiente familiar. Hoje em dia, infelizmente, esses valores são cada vez mais
escassos na sociedade. As pessoas são cada vez mais por si e somente por si,
isto é, gostam cada vez menos de ajudar os outros. A falta de companheirismo e
a cooperação é visível, cada vez mais, no trabalho. As pessoas esqueceram o que
é trabalho em grupo e espírito de equipa. o seu principal foco, nos dias de
hoje, é conseguir ser melhor do que o colega e chegar mais longe, querendo ter
todo o mérito só para si. Por esse motivo, o companheirismo vai sendo cada vez
mais raro, pois as pessoas vão deixando de gostar umas das outras, e a falta de
confiança vai aparecendo, criando, assim, um espírito de rivalidade. A
cooperação também começa a desaparecer, pois a ausência de companheirismo
começa a fazer com que cada um seja por si próprio, e isto, leva a que o grupo
acabe por não querer alcançar os objetivos em conjunto, mas sim individualmente. Nas escolas, a ausência de
companheirismo e cooperação também e visível, principalmente aos olhos de
muitos alunos. Nos trabalhos de grupo, por exemplo, o desentendimento entre
alunos é muito comum, pois todos querem ficar com o mérito, independentemente
se colaboraram ou não na realização do trabalho. Nas avaliações, a comparação
de notas, e a vontade de ser melhor do que o colega do lado leva, muitas vezes,
à rivalidade. Durante as aulas, o mesmo também acontece, principalmente no que
diz respeito à resolução de exercícios propostos pelos professores, ou seja, a
competitividade obsessiva de quem acaba primeiro o exercício torna-se doentia.
Concluindo,
estes são valores muito importantes e necessários para as pessoas dos tempos
atuais. Transmitem muitas lições e a principal é a constatação de que é
impossível viver sem o companheirismo e a cooperação. Penso que a sociedade de
hoje em dia não tem essa preocupação o que, na minha opinião, é de lamentar. As
pessoas estão a tornar-se muito egoístas e ainda não se aperceberam que é muito
difícil alcançar um objetivo sozinho. Tudo o que é feito com companheirismo é
muito mais fácil.
Lara Pinheiro Costa - 8E Nº8
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Dia Mundial da Língua Portuguesa - Padre António Vieira
Foi ontem, dia 5, mas ainda vamos a tempo de celebrar este dia!
Padre António Vieira foi, de facto, um grande Imperador da Língua Portuguesa, como
muito bem o designou Fernando Pessoa, grande escritor português que, um dia,
disse com muita convicção: " A minha pátria é a língua Portuguesa"!!
Falemos, então, um pouco deste Imperador da Língua Portuguesa!
Padre António Vieira pode ser ainda qualificado como o defensor dos judeus
e dos índios, missionário, agente secreto e escritor genial.
Nasceu em Lisboa (1608-1697). Aos sete anos, António partiu com a família
para o Brasil, onde o pai, da baixa nobreza, foi ocupar o cargo de secretário
da Governação. Estudou no colégio jesuíta da Baía, entrou para a Companhia de
Jesus em 1623 e foi ordenado padre em 1634, com 26 anos.
Os seus dotes oratórios já tinham começado a dar nas vistas quando,
perante a ameaça de um ataque holandês, em 1640, pregou na Baía um sermão
aguerrido: ‘Pela vitória das nossas armas’.
Reconhecido como aquilo a que hoje se chamaria um especialista em
comunicação, o jesuíta foi escolhido para fazer parte da delegação que, em 1641
veio a Portugal manifestar a D. João IV o apoio do Brasil à Restauração.
Em Lisboa, foi um êxito. Os seus sermões em linguagem clara, cheios de
metáforas para melhor ilustrarem o que pretendia comunicar, comoveram o rei,
que o nomeou pregador da capela real.
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| Padre António Vieira," reconhecido como aquilo a que hoje se chamaria um especialista em comunicação" |
terça-feira, 5 de maio de 2020
“ O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”. Aristóteles (Filósofo grego)
Neste ensino à
distância, há alunos que são mais rápidos que outros na resolução de tarefas e,
então, estão sempre dispostos a aceitar outros desafios mais criativos. Este
desafio consistiu na passagem de um texto dramático, de António Gedeão, “ A história breve da Lua”, para um
texto narrativo. Eis aqui a proposta da Íris Andrade, aluna do 8ºE. Obviamente
que este texto foi aperfeiçoado, no que diz respeito aos aspetos da pontuação e
algumas construções frásicas sintaticamente menos corretas. Porém, o que contou
mesmo, foi o trabalho de criação e o confronto com o desafio! Parabéns à Íris
Andrade do 8º E.
A
Ignorância é triste!
Vou contar-vos uma história que espero que vos agrade. A
história não tem idade, vem de tempos muito antigos! Era eu ainda muito
pequena, mas recordo-me muito bem!
Numa noite muito
serena, ao colo da minha mãe, olhávamos pela janela, o firmamento. No profundo
céu estrelado, via-se a Lua! Estava tão cheia que parecia um balão prateado! A
Lua estava manchada e eu, na minha inocência de criança, perguntei à minha mãe:
— Mãe, já viste a Lua como está suja? Parece que tem
uma coruja, uma vaca... Gostava de a ver ao perto. — A minha mãe
ri docemente!
— De que te ris, mãe?
— Rio-me do que te
passa pela cabeça!
— Não é nada do que
estás a pensar- diz-me a minha mãe que sabia e sabe tudo!
Então, sempre bondosa e amiga, começou a contar-me a
história da lua. Disse-me que, há muitos, muitos, muitos anos, a Lua se
apresentava sempre polida, branquinha,
macia e nua. Mas, um dia, tudo mudou, quando um pobre camponês foi apanhado
pelo Senhor do Mundo, num domingo, a apanhar lenha. Caminhava curvado, devido
ao peso do molho de lenha, e lamentava-se da sua vida triste e miserável. O
Senhor do Mundo, sem piedade, amedrontou-o
e ameaçou-o, dizendo-lhe que tinha a semana toda para trabalhar e que o
domingo era para descansar. O pobre homem implorou ao Senhor do Mundo que
tivesse compaixão dele, porém, o Senhor do Mundo foi implacável e castigou-o
severamente, colocando-o eternamente na Lua, para lembrar que toda a gente deveria respeitar o dia de descanso, o
domingo.
A minha mãe segredou-me, depois, que tudo aquilo foi inventado
e que só acreditava nessa história quem fosse ingénuo e inculto. Disse-me que,
já no seu tempo, na sua aldeia, havia quem acreditasse cegamente nessa
história. Havia, porém, dois senhores que entravam em discussões acesas a
propósito dessa história: o Srº Agapito a quem o Srº Jerónimo, que era muito
casmurro, tentava convencer.
Um dia, um sábio, ao ouvir uma brutal discussão entre o
Srº Agapito e o Srº Jerónimo, riu-se e resolveu acalmar os ânimos:
— Ora vivam, meus
senhores! Pareceu-me que discutiam qualquer coisa sobre a lua... O Sr Jerónimo,
com um olhar parvo, respondeu:
— É Verdade! O meu
vizinho Agapito é tão burro que até me enerva!
Nesta altura, em
que cada um estava metido na sua casmurrice, o sábio, sensato, sempre duvidoso e
astrónomo, achou por bem acabar com aquele dilema:
— Bem, eu conheço muito bem o mundo celeste, mesmo
havendo sempre coisas novas a descobrir! Por isso, vou acalmar-vos com a minha
pouca sabedoria. Montou o seu óculo num tripé, com lentes de feitios
especiais. Depois de tudo preparado,
sempre com o Srº Agapito e o Srº Jerónimo espantados com tamanha
tecnologia, dispôs-se a fazer
demonstrações, colocando a sua sabedoria em prática. De repente exclama:
— Cá está ela! Cá está ela! A Lua dos meus amores! Venham
vê-las, meus senhores, e digam-me se não é bela! Convidou, então, o Srº
Jerónimo a espreitar pelo óculo, porém, ele não aguentou de emoção e quase desmaiou! Passou, então, o óculo ao Srº Agapito que, espantado, observava a Lua. O Sr Jerónimo,
impaciente, pergunta-lhe se consegue ver o tal homem. O Srº Agapito dá-lhe o
óculo e manda-o procurar. Incrédulo, o Srº Jerónimo diz que só vê covas e mais
covas.
Perante a constatação do Srº Jerónimo, o astrónomo
resolveu partilhar o seu conhecimento com os senhores campestres. Disse ao Srº
Jerónimo que, na verdade, a opinião daquilo que ele via não estava longe da
verdade. Disse-lhe que, realmente, a superfície da lua era imensa e estava
cheia de altos e baixos com montanhas e crateras. Então, o Sr Jerónimo,
parvamente, pergunta-lhe, então, se, por
acaso, lá tem uvas aos cachos e feras nos buracos. O astrónomo, sabiamente, compara a lua a uma
barca perdida nos espaços siderais,
dizendo-lhe que a Lua não tem água nem tem ar, só tem rochas. O Srº
Jerónimo, então, como quem já sabia
tudo, perguntou ao astrónomo se tinha luar. O astrónomo uma vez mais,
pacientemente e rasgando um sorriso, responde-lhe que a Luz da Lua vem do sol,
quando bate nela, como se a luz incidisse, batesse e se refletisse nos vidros
de uma janela. Acrescentou que essa luz que o Sol lhe dá, quando bate nas
montanhas e nas crateras tamanhas e não notamos de cá, ganham formas que
parecem formas de homem, mas que não passam de coisas inventadas.
O Srº Agapito, vaidoso, dirige-se ao Srº Jerónimo e
pergunta-lhe quem tinha razão afinal. Jerónimo, abanando a cabeça e torcendo o
nariz ainda duvidoso e teimoso, responde a Agapito que tudo não passam de
mentiras, patranhas. Perante tanta casmurrice e insistência na ignorância, o
astrónomo fez uma exemplificação usando um casaco, suspendendo-o pela gola.
Simulou que o casaco era uma montanha banhada pelo Sol. Desta simulação, provou
que se viam sombras que eram as deles, mas que, na verdade, eram as da montanha
representada pelo casaco.
O Srº Jerónimo, mesmo perante esta demonstração,
continuou casmurro e desconfiado, não por não acreditar, mas sim por não querer
perder a razão. O Sr Agapito, porém, elogiou a sabedoria do astrónomo,
dizendo-lhe que gostaria de saber o que ele sabia. O astrónomo, humildemente,
respondeu-lhe:
— Todo o tempo é de
aprender desde a hora do nascer até que a vida se acabe.
Deu, assim, uma
grande lição de humildade a todos aqueles que acham que já sabem tudo, disse-me
a minha mãe, tentando ensinar-me que a humildade é uma atitude nobre que nos leva
a querer aprender mais e mais. Assim, ainda hoje e para sempre, carrego comigo
esta lição!
Íris Andrade- 8ºE
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